Agora que vejo o momento em que vou deixar definitivamente Portugal aproximar-se a passos largos, dou por mim num turbilhão de pensamentos e de conexões sinápticas a velocidades estonteantes e com os mais variados assuntos.
Dou por mim também muito mais atenta à questão da nacionalidade. Já morei fora de Portugal, sei o que são as saudades, as identificações com o que é nosso mas também sei que quebrei essa barreira. Hoje, não consigo olhar para o nosso país com aquele fervor que o cartão de cidadão deveria impor. Sinto que sou mais do que portuguesa.
No meio dos meus devaneios e tentativas de definição, tenho dado por mim a sentir-me parte de um outro conjunto, um conjunto de que Portugal faz parte e que esse, talvez sim, seja aquele de me sinto mais próxima.
Desconfio seriamente que o meu sangue é latino.
Somos filhos e netos de gente que sofreu, somos nós mesmos guerreiros e sofredores, desafiadores, filhos do desenrasca mas fazemos das nossas pequenas e insignificantes vitórias o centro do mundo. Temos o coração junto à boca, somos mesquinhos por natureza e passados 10 minutos somos capazes de ter o maior gesto de bondade do ano.
Somos assim, contraditórios por natureza, fugimos sempre às regras, até na essência do nosso ser.
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