segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Tout le monde

Desafiei este grande companheiro de "escrevinhices" a tratar um tema por semana e dei o mote "o que é o amor?"

Sim, o tema é vasto, demasiado vasto para ter uma resposta certa e única. Pouco importa, aqui conta mesmo é que escrevamos, que partilhemos, que evoluamos enquanto escrevinhadores e que paremos neste mundo louco que nos consome para pensarmos.

Para já comecei por pensar no que vou escrever, "escolher" um amor. Decidi escrever sobre aquele que é, provavelmente, o meu maior amor. Não é aquele que nasce visceralmente cá de dentro, esses são outros e alguns já esboçados em posts passados, não, apenas aquele que me emociona, aquele que é capaz de me deixar com as lágrimas nos olhos e no entanto nunca me fará chorar lágrimas grossas.

Falo-vos do amor pelo Outro, no sentido bíblico do termo. Do amor imenso que nutro pela humanidade e que me faz querer descobrir novos mundos e novas gentes, e, ao mesmo tempo, exerce sobre mim uma força de gravidade gigantesca.

Quando penso no ser humano, confesso que as primeiras coisas que me assolam o espírito não são propriamente coisas boas. Mas só não se gosta de algo quando esse algo não nos é indiferente, quando sentimos necessidade de ter expectativas para ele, quanto queremos torná-lo melhor.

O Ser Humano é aquilo que de mais especial e mais horrível conseguimos criar. Não existem pessoas boas ou más, existem pessoas que nos fazem passar momentos inesquecíveis de tão bons ou de tão maus. Todos somos capazes do melhor e do pior, a capacidade de perdoar e de não julgar, essa foi reservada só para alguns.

É este Ser Humano que produz algo tão belo quanto a música, a imagem, a junção das palavras que eu amo. Amo este Ser Humano que se emociona, que me emociona, que faz da vida um curto espaço num vasto momento do tempo de que vale a pena desfrutar.

Isto sim é o Amor. Uma manta de retalhos feita com o de melhor existe dentro de cada uma das pessoas com que nos cruzamos, ainda que frugalmente.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

(2004-2011)

Demorou meses, talvez anos, talvez 2 anos, mas consegui.

Consegui finalmente aceitar uma realidade que teimava em parecer uma miragem de oásis na minha vida.

Finalmente consigo ver e sobretudo aceitar a vida sem ti. Não que tenha desistido ou baixado os braços de vez, ainda não, mas aceitei que tudo pode acontecer e sei que a escolha de onde vou viver os próximos anos da minha vida depende essencialmente de uma escolha que só tem a ver connosco.

Sei hoje que essencialmente terei de viver comigo o resto da vida e não posso deixar que cicatrizes demasiado profundas se instalem em mim. Sei hoje que nos terei vivido a 100 % e que não levo qualquer não-dito ou não-feito comigo.

Agora resta-nos cuidar dos feridos, refazermo-nos e reinventarmo-nos sob novas formas. Estarás sempre guardado no meu coração, terás sempre sido a pessoa mais especial que conheci em toda a minha vida e amarte-ei sempre, mas agora ficarás guardado numa gavetinha nos fundos do coração da qual perderei convenientemente a chave.

É tempo de dar novas oportunidades à vida.

domingo, 4 de setembro de 2011

Quem me leva os meus fantasmas?


Ontem foi um dia de confidências. Confidências daquelas que só fazemos a poucos que realmente merecem conhecer o que de pior pôde existir em nós, que permitem compreender as linhas com que cosemos o nosso pensamento e o fio condutor que provoca as nossas reacções.

Ouvi também confidências, confidências que certamente foram difíceis de libertar porque mexem com a essência do que nos mantém acesos.

Mas confiámos, e ali num sítio que em nada combinava com a profundidade do que se disse entre nós, senti um sentimento de libertação e de grande alegria: o primeiro porque agora sim somos realmente Amigos com A maiúsculo porque já não tenho nada a esconder-lhe e o segundo porque ele soube entender e não julgar.

Falámos ontem de solidão, do peso dela na nossa vida. Acredito que a solidão termina para sempre no dia em que nós fazemos algo especial na vida de outra pessoa que a fará sempre pensar em nós em determinado momento.

Já falei aqui várias vezes desta amizade, principalmente pelo facto que foi ela que motivou a existência deste blog. Mas hoje ela tem outro peso, não porque olhe para ela com outros olhos mas porque me fez acreditar que não estava tão sozinha quando olhava para o mundo que me rodeia. E isso enche-me de força para continuar no meu caminho.

Tem clara e sinceramente sido a melhor descoberta dos últimos tempos.