quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Meu Sangue Latino

Agora que vejo o momento em que vou deixar definitivamente Portugal aproximar-se a passos largos, dou por mim num turbilhão de pensamentos e de conexões sinápticas a velocidades estonteantes e com os mais variados assuntos.

Dou por mim também muito mais atenta à questão da nacionalidade. Já morei fora de Portugal, sei o que são as saudades, as identificações com o que é nosso mas também sei que quebrei essa barreira. Hoje, não consigo olhar para o nosso país com aquele fervor que o cartão de cidadão deveria impor. Sinto que sou mais do que portuguesa.

No meio dos meus devaneios e tentativas de definição, tenho dado por mim a sentir-me parte de um outro conjunto, um conjunto de que Portugal faz parte e que esse, talvez sim, seja aquele de me sinto mais próxima.


Desconfio seriamente que o meu sangue é latino.

Somos filhos e netos de gente que sofreu, somos nós mesmos guerreiros e sofredores, desafiadores, filhos do desenrasca mas fazemos das nossas pequenas e insignificantes vitórias o centro do mundo. Temos o coração junto à boca, somos mesquinhos por natureza e passados 10 minutos somos capazes de ter o maior gesto de bondade do ano.

Somos assim, contraditórios por natureza, fugimos sempre às regras, até na essência do nosso ser.




segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Tout le monde

Desafiei este grande companheiro de "escrevinhices" a tratar um tema por semana e dei o mote "o que é o amor?"

Sim, o tema é vasto, demasiado vasto para ter uma resposta certa e única. Pouco importa, aqui conta mesmo é que escrevamos, que partilhemos, que evoluamos enquanto escrevinhadores e que paremos neste mundo louco que nos consome para pensarmos.

Para já comecei por pensar no que vou escrever, "escolher" um amor. Decidi escrever sobre aquele que é, provavelmente, o meu maior amor. Não é aquele que nasce visceralmente cá de dentro, esses são outros e alguns já esboçados em posts passados, não, apenas aquele que me emociona, aquele que é capaz de me deixar com as lágrimas nos olhos e no entanto nunca me fará chorar lágrimas grossas.

Falo-vos do amor pelo Outro, no sentido bíblico do termo. Do amor imenso que nutro pela humanidade e que me faz querer descobrir novos mundos e novas gentes, e, ao mesmo tempo, exerce sobre mim uma força de gravidade gigantesca.

Quando penso no ser humano, confesso que as primeiras coisas que me assolam o espírito não são propriamente coisas boas. Mas só não se gosta de algo quando esse algo não nos é indiferente, quando sentimos necessidade de ter expectativas para ele, quanto queremos torná-lo melhor.

O Ser Humano é aquilo que de mais especial e mais horrível conseguimos criar. Não existem pessoas boas ou más, existem pessoas que nos fazem passar momentos inesquecíveis de tão bons ou de tão maus. Todos somos capazes do melhor e do pior, a capacidade de perdoar e de não julgar, essa foi reservada só para alguns.

É este Ser Humano que produz algo tão belo quanto a música, a imagem, a junção das palavras que eu amo. Amo este Ser Humano que se emociona, que me emociona, que faz da vida um curto espaço num vasto momento do tempo de que vale a pena desfrutar.

Isto sim é o Amor. Uma manta de retalhos feita com o de melhor existe dentro de cada uma das pessoas com que nos cruzamos, ainda que frugalmente.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

(2004-2011)

Demorou meses, talvez anos, talvez 2 anos, mas consegui.

Consegui finalmente aceitar uma realidade que teimava em parecer uma miragem de oásis na minha vida.

Finalmente consigo ver e sobretudo aceitar a vida sem ti. Não que tenha desistido ou baixado os braços de vez, ainda não, mas aceitei que tudo pode acontecer e sei que a escolha de onde vou viver os próximos anos da minha vida depende essencialmente de uma escolha que só tem a ver connosco.

Sei hoje que essencialmente terei de viver comigo o resto da vida e não posso deixar que cicatrizes demasiado profundas se instalem em mim. Sei hoje que nos terei vivido a 100 % e que não levo qualquer não-dito ou não-feito comigo.

Agora resta-nos cuidar dos feridos, refazermo-nos e reinventarmo-nos sob novas formas. Estarás sempre guardado no meu coração, terás sempre sido a pessoa mais especial que conheci em toda a minha vida e amarte-ei sempre, mas agora ficarás guardado numa gavetinha nos fundos do coração da qual perderei convenientemente a chave.

É tempo de dar novas oportunidades à vida.

domingo, 4 de setembro de 2011

Quem me leva os meus fantasmas?


Ontem foi um dia de confidências. Confidências daquelas que só fazemos a poucos que realmente merecem conhecer o que de pior pôde existir em nós, que permitem compreender as linhas com que cosemos o nosso pensamento e o fio condutor que provoca as nossas reacções.

Ouvi também confidências, confidências que certamente foram difíceis de libertar porque mexem com a essência do que nos mantém acesos.

Mas confiámos, e ali num sítio que em nada combinava com a profundidade do que se disse entre nós, senti um sentimento de libertação e de grande alegria: o primeiro porque agora sim somos realmente Amigos com A maiúsculo porque já não tenho nada a esconder-lhe e o segundo porque ele soube entender e não julgar.

Falámos ontem de solidão, do peso dela na nossa vida. Acredito que a solidão termina para sempre no dia em que nós fazemos algo especial na vida de outra pessoa que a fará sempre pensar em nós em determinado momento.

Já falei aqui várias vezes desta amizade, principalmente pelo facto que foi ela que motivou a existência deste blog. Mas hoje ela tem outro peso, não porque olhe para ela com outros olhos mas porque me fez acreditar que não estava tão sozinha quando olhava para o mundo que me rodeia. E isso enche-me de força para continuar no meu caminho.

Tem clara e sinceramente sido a melhor descoberta dos últimos tempos.


quarta-feira, 24 de agosto de 2011

Porque eu gosto de música (antiga) portuguesa


Certamente não será pela inovação da melodia ou pelas novas batidas. No entanto há de facto algo que me faz ter uma ligação muito emotiva com a música portuguesa que se ouviu neste país até eu ser chamada de gente.

Não, a ligação é emocional, talvez seja a minha forma de me identificar e partilhar sentimentos com aqueles que, sendo mais velhos do que eu e que pouco têm em comum comigo, persistem em ser importantes na minha vida.

Não, não é pela música em si na maioria das vezes mas pela história que evocam, pelos momentos que suscitam.

Estranhamente tocam-me bem fundo na alma, talvez seja a minha nova forma de patriotismo.

Mas não consigo não me arrepiar quando oiço isto:

domingo, 21 de agosto de 2011

The King is dead, long live the king!


A Líbia está quase "livre" gritam a sete ventos os vários jornais nacionais e internacionais.

Decididamente vivemos num mundo de hipócritas que se fiam que todo o estúpido ser humano tem memória de peixinho. É verdade que a maioria o tem, mas como explicar ter-se recebido o Khadafi há pouquíssimos anos atrás com tanta pompa, circunstância e curiosidade e agora o homem passar de bestial a besta.

Será que dependemos de governos tão idiotas que só agora perceberam o que se passava naquele país?

Não vou ser ingénua ao ponto de achar que a honra e a palavra se sobrepõem aos interesses financeiros e políticos, bem sei que as coisas não funcionam assim e ainda bem. No entanto odeio que me tomem por parva e que não assumam os seus interesses.

O futuro da política está na mudança de rumo que é imperativa: deixar de parte o lado politicamente correcto e ter homens e mulheres com os ditos no sítio para assumir aquilo que fazem e os seus interesses. Não penso que o futuro passe por nos deixarmos enganar eternamente, passa sim por assumirmos o que fazemos e o que queremos, mesmo que isso não seja bonito e faça mal a alguém.

Sinto que este governo voltou atrás anos luz neste aspecto. Aliás, não existe homem mais demagógico em Portugal do que o Paulo Portas.

O Khadafi irá capitular, talvez esta noite. Já lhe capturaram os filhos, esperemos que os mantenham vivos. Veremos se quem vier faz melhor.

sábado, 20 de agosto de 2011

Adeus

Depois do que falámos, discutimos, dissemos ou deixámos por dizer, dou por mim a tentar pôr fim a tudo isto, à procura de um fim efectivo e, ao mesmo tempo, a reabrir a porta porque me vou aproximar fisicamente de ti.

Falava ontem com um amigo sobre os motivos da minha escolha. Precisamente, um dos meus medos é que esta escolha tão difícil tenha um grande peso teu, ainda que inconscientemente. Tenho contigo uma relação de amor-ódio, dependência e distanciamento e por muito pouco são que isto possa parecer, acredito que é o nosso equilíbrio.

Hoje sei que não quero que a minha vida seja feita de uma experiência única vivida profundamente num acto de construção de algo. Não, quero coisas diferentes, pessoas diferentes com lugares diferentes dentro de mm. Certamente algumas perdurarão mais do que outras mas não quero pensar que vou ao teu encontro, que fazes parte do meu plano de futuro com essa certeza e segurança, tão clássicas!

Talvez por querer ter esta certeza luto tanto por um final. Mas o Eugénio de Andrade tem a sua razão...as palavras estão gastas.

Adeus
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor, 
e o que nos ficou não chega para afastar o frio de quatro paredes. 
Gastámos tudo menos o silêncio. 
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas, 
gastámos as mãos à força de as apertarmos, 
gastámos o relógio e as pedras das esquinas em esperas inúteis.


Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada. 
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro; 
era como se todas as coisas fossem minhas: 
quanto mais te dava mais tinha para te dar. 


Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes. 
E eu acreditava.
Acreditava, porque ao teu lado todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,

era no tempo em que o teu corpo era um aquário,

era no tempo em que os meus olhos eram realmente peixes verdes.


Hoje são apenas os meus olhos.

É pouco mas é verdade, uns olhos como todos os outros.


Já gastámos as palavras.

Quando agora digo: meu amor, já não se passa absolutamente nada.

E no entanto, antes das palavras gastas,

tenho a certeza de que todas as coisas estremeciam

só de murmurar o teu nome no silêncio do meu coração.


Não temos já nada para dar.

Dentro de ti não há nada que me peça água.

O passado é inútil como um trapo.

E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus

Eugénio de Andrade



terça-feira, 16 de agosto de 2011

Coragem

A coragem é feita de muitas coisas diferentes, de pequenos e grandes gestos, de actos heróicos ou de meras acções banais. Tudo é válido desde que, para nós, seja um acto de coragem.

Hoje, pela primeira vez em cinco anos tive a CORAGEM de ouvir esta música de novo.


Ouvi-a vezes sem fim nos momentos mais duros da minha vida, fez sofrer, carpir as mágoas, nunca esquecer. Sei que nunca mais irei sofrer como sofri nessa altura, há algo na história que nos torna imunes ao sofrimento quando passámos pelo pior sentimento do mundo, o da perda efectiva do que em tempos, ainda que fugazes, foi inteiramente nosso.

5 anos são muitos anos, são muitas imagens que o meu cérebro sugere espontâneamente e que afasto com jeitinho para o lado. Hoje sei que tudo é ultrapassável desde que queiramos e que não existe sofrimento pelo qual o ser humano não seja capaz de passar, sobreviver, e até ser feliz depois.

Sei que busco incessantemente essa forma de felicidade que é a minha, à minha maneira, talvez precisamente pela necessidade de mostrar a mim própria que ultrapassei mesmo o momento mais difícil da minha vida passada e futura, talvez por ter medo que um dia acorde e veja que afinal apenas não lidei com a situação.

Hoje ouvi de novo esta música. Fiquei pensativa, triste até. Mas continuei, segui em frente. E esse orgulho de ter conseguido, por muito que choque quase todos aqueles que me rodeiam, esse orgulho, faz-me viver e dá-me alento. E é disso que vivo todos os dias.

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

Deboche

Ambiente cabaret, fumo no ar, homens de cabelos esbranquiçados acompanhados de senhoras francamente mais jovens mas nem por isso mais bonitas.

Cheira a decadência, a álcool, a sexo de ocasião mas cheira também a sedução, a momentos inesquecíveis na companhia de gente que já muito viveu e pouco soube construir, apenas viver.

Sei que a maioria das pessoas chamaria a esta gente os verdadeiros "vencidos da vida" mas não consigo deixar de me encantar por esta decadência chique onde homens e mulheres convivem livremente e sem complexos, onde se fala de mais do que o que passou ontem na TV ou de fraldas.

Chegou a altura de assumir isso livremente e, seja qual for aquilo que os outros à minha volta pensem, essa é profundamente a vida que quero viver ou pelo menos conhecer melhor ainda.
De preferência ao som de músicas como esta:

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Medos


2012 vai ser um ano de muitas mudanças, o ano em que penso mudar definitivamente a minha vida. Partir, experimentar tudo de novo, o bom e o mau.

No entanto ultimamente tenho visto partir para novas aventuras algumas pessoas que me são particularmente queridas. E ao ver esse núcleo a desfazer-se não consigo ficar indiferente. Sei que vão para melhor, vão realizar sonhos e desejo a cada um deles nada menos do que toda a felicidade do mundo. Mas também sei que me custa vê-los partir, que secretamente quero aproveitar o máximo de tempo que me resta com cada um deles.

Sei que depois nada será igual, nunca mais.

Amar-nos-emos sempre da mesma forma, com o mesmo carinho mas a distância vai separar-nos, devagarinho. Sei que lutaremos contra ela de quando em vez mas também sei que essa coisa horrorosa que é o tempo fará o seu trabalho bem feito e ganhará a batalha. Odeio saber que esta morte lenta e anunciada irá existir, sem razão aparente.

Tenho saudades do Johnny, do Elio, sinto MUITO a falta do Filipe e agora preparo-me (ou tento...) com um misto de felicidade e tristeza para ver partir a pessoa "responsável" por estes posts serem publicados.

Se eu pudesse juntá-los a todos (e eles quisessem) e passar todo o meu tempo livre com cada um deles fá-lo-ia sem hesitar. Talvez seja a minha forma de dizer que vou ter saudades dos que ainda ficarão quando eu partir.

Decidi por isso que este blog será um espelho da minha relação com aquele que me incentivou a dar-lhe vida. Assim, ele viverá de acordo com a nossa capacidade de manter o mesmo nível e a mesma profundidade de comunicação, ainda que certamente mais escasso.

Este ciclo da minha vida está quase a encerrar-se, ou melhor, estou quase a encerrá-lo dentro de mim. Levo dos últimos anos tanta coisa...poderia discorrer durante horas e horas. Mas para resumir levo sobretudo no peito aqueles que amo, que de alguma forma me tocaram e souberam tornar-se especiais na minha vida.

E morro de medo não me ter tornado especial na vida deles.


domingo, 7 de agosto de 2011

Família

Pertença.

São nossos, são um bocadinho de nós e nós somos um bocadinho deles. Parece que partilhamos a mesma carne que nos envolve os ossos.

É certo que estão carregadinhos de coisas que nos enervam e com que não nos identificamos mas estão também cheios de amor incondicional desde a primeira vez que nos puseram a vista em cima.

Hoje, vi, revi, conheci e reconheci. Cada um deles iluminou um bocadinho do meu coração de uma forma especial e aqueles que ainda não conhecia arranjaram um espacinho para eles também.

Sei que seria incapaz de os ver como antes, quase dia a dia. Mas também sei que também preciso mais deles do que o que tenho procurado acreditar.

Mas foi bom sentir saudades. E foi ainda melhor matá-las.

sábado, 6 de agosto de 2011

Da teoria do eterno retorno - I

Este é um tema sobre o qual falarei mais vezes por aqui uma vez que se trata de um dos meus favoritos...

Parto do pressuposto principal: A História repete-se. A ideia é a de ciclo, de círculo, de eterna repetição.

A priori pode parecer-vos algo chato, rotineiro, mas essa ideia é absolutamente falsa. A repetição da História é, a meu ver, o espelho e o motor das nossas vidas. Trata-se da teoria que nos move e que nos faz aquilo que somos.

Há uns bons 10 anos descobri o livro Les Fleurs Bleues de Raymond Queneau que entrelaçava personagens de épocas diferentes da História num mesmo enredo para chegar a uma conclusão: de formas diferentes, a História repete-se.

Parte-se então do pressuposto que a essência é algo bastante básico e pouco extenso, um pouco como as cores primárias. Das combinações possíveis dessa essência derivarão então formas secundárias que muitas vezes nos parecem únicas mas que apenas são repetições umas das outras!

O objectivo do estudo e desenvolvimento desta teoria tem como objectivo final a aceitação e a libertação do Eu perante o Outro e ainda do Eu perante o Eu. A constatação da repetição é, juntamente com o Humor, a única forma real de lucidez Humana. A única constatação de Verdade, de algo que, embora etéreo, é palpável.

A construção inédita não existe. E não é esta afirmação um determinismo, apenas uma constatação. A verdadeira criatividade está precisamente em sermos capazes de criar com as barreiras que nos são dadas ou impostas: criar utilizando o que já existe, sermos capazes de ter um segundo, terceiro, quinquagésimo olhar sobre algo.

E sobre isto falarei mais tarde, com um projecto que me tem atravessado o espírito e que começa a ganhar alguma força...

sexta-feira, 29 de julho de 2011

Semana da Moda Paris

Foram duas semanas inteirinhas por Paris. Com altos e baixos, é certo mas o balanço global é bem positivo.

Sabe bem sentirmo-nos queridos por pessoas que estão a quilómetros e quilómetros de distância que nos vêem uma vez na vida e outra na morte. Não, a grande maioria não são amigos, apenas colegas mas que gostam genuinamente de mim e de quem gosto genuinamente.

O verdadeiramente fantástico é no meio dos colegas existirem os Amigos. Poucos, mas bons. Um homem bom que soube ser meu amigo e dar-me liberdade de escolha num assunto em que ele tinha interesse... Os 2 Amigos que não tive oportunidade de ver mas que já provaram claramente serem verdadeiramente amigos e finalmente O Amigo, aquele que vem mesmo do coração que mais uma vez provou ser não só um grande homem mas uma pessoa extraordinária.

A vida desenha-se entre Londres e Paris mas é aqui, em Paris, que me fazem sentir bem. Não diria em casa, ainda não me sinto em casa em Paris mas sinto-me certamente feliz, mais livre, mais EU do que em Lisboa.

Ainda não sei como irei resolver esta discrepância entre a "casa" que é sem dúvida Lisboa e sentir-me a ser eu própria, o que acontece em Paris... mas certamente encontrarei o meu caminho, uma forma de ser feliz.

É altura de grandes mudanças. É altura de me preparar para esta nova aventura, descobrir novos mundos. Isso ainda não me faz sentir bem mas um dia sei que fará. Pelo menos poderei dizer que terei lutado por isso.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Tiens, c'est marrant, t'as la bible!

Je n'arrivais pas à dormir et soudain "La gare de Milan s'est un peu installée dans ma tête et je l'écoute en boucle.

Tu te demanderas peut-être pourquoi celle-ci, au final elle n'a jamais été une de celles qu'on écoutait le plus mais j'en ai eu envie, c'est tout.

J'ai tellement appris avec toi. J'ai appris que les petites choses du quotidien sont effectivement de grands moments dans notre vie, que c'est de quoi elle se compose et que c'est ça qu'il faut chanter: l'air volontairement exagéré quand tu racontes une blague ou encore le regard perdu quand un sujet ne t'intéresse plus. La façon dont tu te lèves qui m'a toujours fait rigoler ou le côté un peu gamin quand t'as peur de te lancer.

J'ai appris à te connaitre, à me connaitre, j'ai appris que dans la vie il faut lutter pour ce que l'on veut et que le chemin n'est pas tout le temps facile. Je l'ai appris en partant quand je ne voulais plus partir parce que tu étais là. J'ai appris qu'il faut toujours tout faire.

J'ai appris que les relations ça s'entraine, que c'est comme une plante, il faut avoir la main verte, leur parler, leur donner à boire mais pas trop, elles risquent de s'étouffer. J'ai appris que les moments difficiles existent aussi, que tu pouvais être dur mais j'ai appris que je pouvais te faire confiance, j'ai appris que tu serais toujours là pour me soutenir.

J'ai appris à découvrir le monde d'une autre façon, celle qui me rend heureuse et dont j'ai besoin. J'ai appris à me rencontrer avec moi-même.

J'ai appris que l'équilibre des uns n'est pas forcemment l'équilibre des autres. J'ai mis du temps sur ce point mais ça y est. J'ai appris qu'il faut parler, chanter, déclamer...communiquer.

Surtout, j'ai appris que tu aimes le thon plus que le saumon mais qu'il faut pas les cuisiner. Tu aimes la vodka redbull et les légumes. Tu aimes le chocolat et le fromage. Tu aimes bien le bleu. Tu aimes beaucoup ta famille, tu aimes les gens en général. J'ai appris que quand tu as un plan spécifique même pour un petit truc il vaut mieux te laisser faire et juste te demander si tu veux de l'aide parce que ça va jamais finir comme ce que tu imaginais si c'est pas toi qui le fait. En même temps j'ai appris que la seule façon de gagner ton respect était d'oser défier ceci.

J'ai appris à lire ton regard sur la vie, j'ai appris à te lire toi.

sábado, 23 de julho de 2011

A liberdade de partir

No Blackberry toca em volume bastante elevado "Fix you" dos Coldplay e em mim mora a verdadeira sensação de liberdade.

Com as roupas atirada para dentro da mochila, essa grande companheira de viagens, de banho tomado e ténis calçados, pronta para partir, aqui estou eu.

Este era mais um fim de semana em Paris, com previsão de aguaceiros em toda a região de Ile-de-France e, assim meio de repente, um convite meio inesperado, uma consulta rápida ao site da Air France e aqui vou eu, não ao Museu do Louvre ou ao de Orsay, mas rumo a Toulouse, mais uma vez.

E o sorriso poderia ser pela companhia mas não é só. Aliás, é maioritariamente pela imensa sensação de liberdade que dá decidir esta viagem do pé para a mão e enfiar tudo rapidamente na mochila e pronto, agir sem pensar demasiado. Fazer sem planear, simplesmente ir em busca de coisa nenhuma, sair do quadro milimetricamente programado em que vivemos o nosso dia a dia e voar.

Ir. Partir.

E ter a certeza que saberá melhor voltar só porque fui.




quarta-feira, 20 de julho de 2011

A bifurcação que sabe bem



Hoje estou assim:







De sorriso estampado no rosto, sinto-me uma das pessoas com mais sorte neste mundo!

Numa altura em que o mundo e a sociedade (e o €) se parecem desmoronar à minha volta, eu tenho a grandessíssima SORTE de ter que escolher por onde passa o meu futuro. E melhor, futuro esse que se apresenta muito risonho, quase tanto quanto eu.

Sabe tão bem sentir que as nossas decisões nos levaram por bons caminhos e que o nosso esforço dá frutos!

A única nota mental que fica é mesmo que no meio desta depressão geral que vivemos hoje, eu caminho uma vez mais no sentido contrário. É estranho ser sempre diferente do colectivo. Mas sabe bem quando o caminho é o bom!









terça-feira, 19 de julho de 2011

Diário


Mais um dia de decisões difíceis.

Tenho um problema: tenho dificuldade em dizer não a pessoas de quem gosto, mesmo que isso às vezes me coloque numa posição delicada. Hoje foi mais uma dessas vezes. Não sei se a minha decisão ou não-decisão poderá ter consequências mas se tiver cá estarei para as enfrentar. No entanto, talvez seja altura de pensar em me proteger mais deste tipo de situações e de vencer definitivamente esta timidez natural que tão bem consegui ultrapassar noutros planos.

Tenho de aprender a dizer não quando não tenho certezas e o sexto sentido me puxa mais nesse sentido, tenho de ser capaz de ser mais egoísta nesse plano, talvez mais confiante. Se por um lado tenho muito orgulho na educação que me foi dada, por outro sei que lido mal com o "não", não em recebê-lo, mas em dá-lo.

Este blog esta definitivamente a tornar-se numa espécie de livro de auto-ajuda de mim para mim mas no final de contas todos nós dialogamos connosco próprios, tirando aqueles como o Neale Donald Walsch, que conversam com Deus.

Dito isto acredito lá bem no fundo da minha indefinição espiritual queconversar com Deus seja uma outra forma de conversar consigo próprio. Mas sobre isto conversaremos noutro dia.



segunda-feira, 18 de julho de 2011

AVÓ - da sequela das pessoas mais importantes da minha vida


Há cerca de 11 anos foi neste poema que arranjei coragem ou qualquer outra coisa com outro nome para superar a tua morte.

Hoje, relendo Sophia (há demasiado tempo que não o fazia), lembrei-me de ti. Lembrei-me das saudades imensas que deixaste em mim e do quão demasiado cedo partiste. Lembro-me de como nunca nada foi igual, como eu lidei tão friamente com a morte desde então porque já te perdi e nada, nada mesmo, pode trazer um sentimento mais duro do que a tua morte.

Poderia escrever horas sobre ti, sei que o farei mas não hoje, de uma assentada e num blog que não se quer só um guarda-jóias da memória. Fá-lo-ei em cada palavra avó, porque cada vez que eu escrevo, que eu respiro, que eu existo, é uma parte de ti que permanece sempre viva em mim.

Nunca mais
A tua face será pura limpa e viva
Nem o teu andar como onda fugitiva
Se poderá nos passos do tempo tecer.
E nunca mais darei ao tempo a minha vida.

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.
A luz da tarde mostra-me os destroços
Do teu ser. Em breve a podridão
Beberá os teus olhos e os teus ossos
Tomando a tua mão na sua mão.

Nunca mais amarei quem não possa viver
Sempre,
Porque eu amei como se fossem eternos
A glória, a luz e o brilho do teu ser,
Amei-te em verdade e transparência
E nem sequer me resta a tua ausência,
És um rosto de nojo e negação
E eu fecho os olhos para não te ver.

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.

Sophia de Mello Breyner Andresen
1919-2004


O Tempo


Hoje tive uma tarefa difícil: gerir sensibilidades feridas cedendo em parte mas sem deixar de ser fiel aos meus princípios ou a mim própria.

A vida tem destas coisas, coloca-nos desafios que são por vezes difíceis de conseguir superar.

Ao longo deste últimos anos muitos têm sido os desafios, as aprendizagens, as evoluções. Sinto que todos eles fizeram de mim uma pessoa mais rica por dentro, com muito mais experiência para partilhar. Hoje olho pausadamente e sei que isto é uma realidade. No entanto, trata-se de uma realidade que ainda não aprendi a sentir, ou, pelo menos, a valorizar.

Disse há pouco tempo a um amigo a seguinte frase "isso é do tempo em que eu tinha tempo para ser uma pessoa interessante". A verdade é que é isto que sinto realmente, o tempo devora-nos aos bocadinhos, sadicamente. A forma como deixamos o dia a dia espezinhar-nos como se de uma entidade mítica se tratasse é gritante e, sinceramente, estou a precisar que alguém me dê duas valentes bofetadas e me diga "acorda, quem faz o teu dia a dia és tu".

É altura de aprender que ter aprendido coisas pela experiência é bom. É altura de deixar de valorizar só a bibliografia do Sartre ou do Eça e de me convencer que cada momento partilhado com cada uma das pessoas com quem me cruzo e com quem aprendo ou a quem ensino é também valioso. Talvez mais valioso.

Por isso (por ter tempo e também porque me pediste) resolvi escrever hoje novamente. Retomar algo que me faz sentir, provavelmente, uma pessoa mais interessante e, certamente, uma pessoa que reflecte mais na vida e, por conseguinte, mais consciente de si e do mundo que a rodeia. Em suma, uma pessoa melhor.

domingo, 17 de julho de 2011

Revisitando a alma



Voltei a Paris.

Notem que disse "A" e não "PARA".

Mas serão duas semanas de teste, duas semanas que servirão para eu determinar o que sinto em relação à cidade, a algumas pessoas que aqui vivem (e algumas que não vivendo aqui, vivem no mesmo país) e que são (talvez demasiado) importantes para mim. Acima de tudo serão duas semanas cujo propósito ao nível pessoal será de tomar balanço e engolir a coragem necessária para fazer as malas e deixar para trás uma vida já construída, sólida e enraizada.

Por vezes tenho a sensação de sofrer da síndrome do emigrante apátrida: aquela que recorda o sítio onde nasceu com uma profunda saudade mas que já viveu demasiado tempo noutro sítio para se sentir suficientemente bem na sua terra natal. A verdade é que a minha família se partiu e espalhou e nesta fase do campeonato não importa muito onde moramos, apenas que gostemos uns dos outros. Os amigos tornaram-se na nova família e sei secretamente que é deles que vou sentir a maior falta, dos sorrisos, dos olhares, das conversas, do carinho.

A verdade é que preciso de me integrar, de ser parte de um todo de alguma forma. Sou demasiado "outsider" em Lisboa, sei que não é ali que posso viver a minha vida feliz. E eu prezo a minha felicidade acima de tudo. Não tenho certezas se voltar a um sítio que já me deu sentimentos tão contraditórios será a melhor solução, mas é neste momento uma decisão, assim como uma espécie de capítulo de um livro que temos de acabar de ler e que teimamos em não terminar porque o Metro ou o autocarro é sempre mais rápido do que nós.

Penso que voltar a Paris vai ser bom e estranho ao mesmo tempo. Será mais ou menos assim como escrever este texto.

Desde 2009 que este blog foi aberto e nunca teve um post digno desse nome. Hoje, um amigo a quem posso estranhamente chamar amigo apesar das poucas vezes que estivemos juntos e por quem estranhamente nutro um carinho muito, muito especial, desafiou-me a voltar à escrita. Aceitei o desafio e cá está o resultado.

E porque os meus amigos para mim têm nome de gente, obrigada João, tu sabes que este post é para ti.