domingo, 17 de julho de 2011

Revisitando a alma



Voltei a Paris.

Notem que disse "A" e não "PARA".

Mas serão duas semanas de teste, duas semanas que servirão para eu determinar o que sinto em relação à cidade, a algumas pessoas que aqui vivem (e algumas que não vivendo aqui, vivem no mesmo país) e que são (talvez demasiado) importantes para mim. Acima de tudo serão duas semanas cujo propósito ao nível pessoal será de tomar balanço e engolir a coragem necessária para fazer as malas e deixar para trás uma vida já construída, sólida e enraizada.

Por vezes tenho a sensação de sofrer da síndrome do emigrante apátrida: aquela que recorda o sítio onde nasceu com uma profunda saudade mas que já viveu demasiado tempo noutro sítio para se sentir suficientemente bem na sua terra natal. A verdade é que a minha família se partiu e espalhou e nesta fase do campeonato não importa muito onde moramos, apenas que gostemos uns dos outros. Os amigos tornaram-se na nova família e sei secretamente que é deles que vou sentir a maior falta, dos sorrisos, dos olhares, das conversas, do carinho.

A verdade é que preciso de me integrar, de ser parte de um todo de alguma forma. Sou demasiado "outsider" em Lisboa, sei que não é ali que posso viver a minha vida feliz. E eu prezo a minha felicidade acima de tudo. Não tenho certezas se voltar a um sítio que já me deu sentimentos tão contraditórios será a melhor solução, mas é neste momento uma decisão, assim como uma espécie de capítulo de um livro que temos de acabar de ler e que teimamos em não terminar porque o Metro ou o autocarro é sempre mais rápido do que nós.

Penso que voltar a Paris vai ser bom e estranho ao mesmo tempo. Será mais ou menos assim como escrever este texto.

Desde 2009 que este blog foi aberto e nunca teve um post digno desse nome. Hoje, um amigo a quem posso estranhamente chamar amigo apesar das poucas vezes que estivemos juntos e por quem estranhamente nutro um carinho muito, muito especial, desafiou-me a voltar à escrita. Aceitei o desafio e cá está o resultado.

E porque os meus amigos para mim têm nome de gente, obrigada João, tu sabes que este post é para ti.







1 comentário:

Rebuild disse...

Continua a escrever.. gostei