Hoje tive uma tarefa difícil: gerir sensibilidades feridas cedendo em parte mas sem deixar de ser fiel aos meus princípios ou a mim própria.
A vida tem destas coisas, coloca-nos desafios que são por vezes difíceis de conseguir superar.
Ao longo deste últimos anos muitos têm sido os desafios, as aprendizagens, as evoluções. Sinto que todos eles fizeram de mim uma pessoa mais rica por dentro, com muito mais experiência para partilhar. Hoje olho pausadamente e sei que isto é uma realidade. No entanto, trata-se de uma realidade que ainda não aprendi a sentir, ou, pelo menos, a valorizar.
Disse há pouco tempo a um amigo a seguinte frase "isso é do tempo em que eu tinha tempo para ser uma pessoa interessante". A verdade é que é isto que sinto realmente, o tempo devora-nos aos bocadinhos, sadicamente. A forma como deixamos o dia a dia espezinhar-nos como se de uma entidade mítica se tratasse é gritante e, sinceramente, estou a precisar que alguém me dê duas valentes bofetadas e me diga "acorda, quem faz o teu dia a dia és tu".
É altura de aprender que ter aprendido coisas pela experiência é bom. É altura de deixar de valorizar só a bibliografia do Sartre ou do Eça e de me convencer que cada momento partilhado com cada uma das pessoas com quem me cruzo e com quem aprendo ou a quem ensino é também valioso. Talvez mais valioso.
Por isso (por ter tempo e também porque me pediste) resolvi escrever hoje novamente. Retomar algo que me faz sentir, provavelmente, uma pessoa mais interessante e, certamente, uma pessoa que reflecte mais na vida e, por conseguinte, mais consciente de si e do mundo que a rodeia. Em suma, uma pessoa melhor.
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