sexta-feira, 29 de julho de 2011

Semana da Moda Paris

Foram duas semanas inteirinhas por Paris. Com altos e baixos, é certo mas o balanço global é bem positivo.

Sabe bem sentirmo-nos queridos por pessoas que estão a quilómetros e quilómetros de distância que nos vêem uma vez na vida e outra na morte. Não, a grande maioria não são amigos, apenas colegas mas que gostam genuinamente de mim e de quem gosto genuinamente.

O verdadeiramente fantástico é no meio dos colegas existirem os Amigos. Poucos, mas bons. Um homem bom que soube ser meu amigo e dar-me liberdade de escolha num assunto em que ele tinha interesse... Os 2 Amigos que não tive oportunidade de ver mas que já provaram claramente serem verdadeiramente amigos e finalmente O Amigo, aquele que vem mesmo do coração que mais uma vez provou ser não só um grande homem mas uma pessoa extraordinária.

A vida desenha-se entre Londres e Paris mas é aqui, em Paris, que me fazem sentir bem. Não diria em casa, ainda não me sinto em casa em Paris mas sinto-me certamente feliz, mais livre, mais EU do que em Lisboa.

Ainda não sei como irei resolver esta discrepância entre a "casa" que é sem dúvida Lisboa e sentir-me a ser eu própria, o que acontece em Paris... mas certamente encontrarei o meu caminho, uma forma de ser feliz.

É altura de grandes mudanças. É altura de me preparar para esta nova aventura, descobrir novos mundos. Isso ainda não me faz sentir bem mas um dia sei que fará. Pelo menos poderei dizer que terei lutado por isso.

terça-feira, 26 de julho de 2011

Tiens, c'est marrant, t'as la bible!

Je n'arrivais pas à dormir et soudain "La gare de Milan s'est un peu installée dans ma tête et je l'écoute en boucle.

Tu te demanderas peut-être pourquoi celle-ci, au final elle n'a jamais été une de celles qu'on écoutait le plus mais j'en ai eu envie, c'est tout.

J'ai tellement appris avec toi. J'ai appris que les petites choses du quotidien sont effectivement de grands moments dans notre vie, que c'est de quoi elle se compose et que c'est ça qu'il faut chanter: l'air volontairement exagéré quand tu racontes une blague ou encore le regard perdu quand un sujet ne t'intéresse plus. La façon dont tu te lèves qui m'a toujours fait rigoler ou le côté un peu gamin quand t'as peur de te lancer.

J'ai appris à te connaitre, à me connaitre, j'ai appris que dans la vie il faut lutter pour ce que l'on veut et que le chemin n'est pas tout le temps facile. Je l'ai appris en partant quand je ne voulais plus partir parce que tu étais là. J'ai appris qu'il faut toujours tout faire.

J'ai appris que les relations ça s'entraine, que c'est comme une plante, il faut avoir la main verte, leur parler, leur donner à boire mais pas trop, elles risquent de s'étouffer. J'ai appris que les moments difficiles existent aussi, que tu pouvais être dur mais j'ai appris que je pouvais te faire confiance, j'ai appris que tu serais toujours là pour me soutenir.

J'ai appris à découvrir le monde d'une autre façon, celle qui me rend heureuse et dont j'ai besoin. J'ai appris à me rencontrer avec moi-même.

J'ai appris que l'équilibre des uns n'est pas forcemment l'équilibre des autres. J'ai mis du temps sur ce point mais ça y est. J'ai appris qu'il faut parler, chanter, déclamer...communiquer.

Surtout, j'ai appris que tu aimes le thon plus que le saumon mais qu'il faut pas les cuisiner. Tu aimes la vodka redbull et les légumes. Tu aimes le chocolat et le fromage. Tu aimes bien le bleu. Tu aimes beaucoup ta famille, tu aimes les gens en général. J'ai appris que quand tu as un plan spécifique même pour un petit truc il vaut mieux te laisser faire et juste te demander si tu veux de l'aide parce que ça va jamais finir comme ce que tu imaginais si c'est pas toi qui le fait. En même temps j'ai appris que la seule façon de gagner ton respect était d'oser défier ceci.

J'ai appris à lire ton regard sur la vie, j'ai appris à te lire toi.

sábado, 23 de julho de 2011

A liberdade de partir

No Blackberry toca em volume bastante elevado "Fix you" dos Coldplay e em mim mora a verdadeira sensação de liberdade.

Com as roupas atirada para dentro da mochila, essa grande companheira de viagens, de banho tomado e ténis calçados, pronta para partir, aqui estou eu.

Este era mais um fim de semana em Paris, com previsão de aguaceiros em toda a região de Ile-de-France e, assim meio de repente, um convite meio inesperado, uma consulta rápida ao site da Air France e aqui vou eu, não ao Museu do Louvre ou ao de Orsay, mas rumo a Toulouse, mais uma vez.

E o sorriso poderia ser pela companhia mas não é só. Aliás, é maioritariamente pela imensa sensação de liberdade que dá decidir esta viagem do pé para a mão e enfiar tudo rapidamente na mochila e pronto, agir sem pensar demasiado. Fazer sem planear, simplesmente ir em busca de coisa nenhuma, sair do quadro milimetricamente programado em que vivemos o nosso dia a dia e voar.

Ir. Partir.

E ter a certeza que saberá melhor voltar só porque fui.




quarta-feira, 20 de julho de 2011

A bifurcação que sabe bem



Hoje estou assim:







De sorriso estampado no rosto, sinto-me uma das pessoas com mais sorte neste mundo!

Numa altura em que o mundo e a sociedade (e o €) se parecem desmoronar à minha volta, eu tenho a grandessíssima SORTE de ter que escolher por onde passa o meu futuro. E melhor, futuro esse que se apresenta muito risonho, quase tanto quanto eu.

Sabe tão bem sentir que as nossas decisões nos levaram por bons caminhos e que o nosso esforço dá frutos!

A única nota mental que fica é mesmo que no meio desta depressão geral que vivemos hoje, eu caminho uma vez mais no sentido contrário. É estranho ser sempre diferente do colectivo. Mas sabe bem quando o caminho é o bom!









terça-feira, 19 de julho de 2011

Diário


Mais um dia de decisões difíceis.

Tenho um problema: tenho dificuldade em dizer não a pessoas de quem gosto, mesmo que isso às vezes me coloque numa posição delicada. Hoje foi mais uma dessas vezes. Não sei se a minha decisão ou não-decisão poderá ter consequências mas se tiver cá estarei para as enfrentar. No entanto, talvez seja altura de pensar em me proteger mais deste tipo de situações e de vencer definitivamente esta timidez natural que tão bem consegui ultrapassar noutros planos.

Tenho de aprender a dizer não quando não tenho certezas e o sexto sentido me puxa mais nesse sentido, tenho de ser capaz de ser mais egoísta nesse plano, talvez mais confiante. Se por um lado tenho muito orgulho na educação que me foi dada, por outro sei que lido mal com o "não", não em recebê-lo, mas em dá-lo.

Este blog esta definitivamente a tornar-se numa espécie de livro de auto-ajuda de mim para mim mas no final de contas todos nós dialogamos connosco próprios, tirando aqueles como o Neale Donald Walsch, que conversam com Deus.

Dito isto acredito lá bem no fundo da minha indefinição espiritual queconversar com Deus seja uma outra forma de conversar consigo próprio. Mas sobre isto conversaremos noutro dia.



segunda-feira, 18 de julho de 2011

AVÓ - da sequela das pessoas mais importantes da minha vida


Há cerca de 11 anos foi neste poema que arranjei coragem ou qualquer outra coisa com outro nome para superar a tua morte.

Hoje, relendo Sophia (há demasiado tempo que não o fazia), lembrei-me de ti. Lembrei-me das saudades imensas que deixaste em mim e do quão demasiado cedo partiste. Lembro-me de como nunca nada foi igual, como eu lidei tão friamente com a morte desde então porque já te perdi e nada, nada mesmo, pode trazer um sentimento mais duro do que a tua morte.

Poderia escrever horas sobre ti, sei que o farei mas não hoje, de uma assentada e num blog que não se quer só um guarda-jóias da memória. Fá-lo-ei em cada palavra avó, porque cada vez que eu escrevo, que eu respiro, que eu existo, é uma parte de ti que permanece sempre viva em mim.

Nunca mais
A tua face será pura limpa e viva
Nem o teu andar como onda fugitiva
Se poderá nos passos do tempo tecer.
E nunca mais darei ao tempo a minha vida.

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.
A luz da tarde mostra-me os destroços
Do teu ser. Em breve a podridão
Beberá os teus olhos e os teus ossos
Tomando a tua mão na sua mão.

Nunca mais amarei quem não possa viver
Sempre,
Porque eu amei como se fossem eternos
A glória, a luz e o brilho do teu ser,
Amei-te em verdade e transparência
E nem sequer me resta a tua ausência,
És um rosto de nojo e negação
E eu fecho os olhos para não te ver.

Nunca mais servirei senhor que possa morrer.

Sophia de Mello Breyner Andresen
1919-2004


O Tempo


Hoje tive uma tarefa difícil: gerir sensibilidades feridas cedendo em parte mas sem deixar de ser fiel aos meus princípios ou a mim própria.

A vida tem destas coisas, coloca-nos desafios que são por vezes difíceis de conseguir superar.

Ao longo deste últimos anos muitos têm sido os desafios, as aprendizagens, as evoluções. Sinto que todos eles fizeram de mim uma pessoa mais rica por dentro, com muito mais experiência para partilhar. Hoje olho pausadamente e sei que isto é uma realidade. No entanto, trata-se de uma realidade que ainda não aprendi a sentir, ou, pelo menos, a valorizar.

Disse há pouco tempo a um amigo a seguinte frase "isso é do tempo em que eu tinha tempo para ser uma pessoa interessante". A verdade é que é isto que sinto realmente, o tempo devora-nos aos bocadinhos, sadicamente. A forma como deixamos o dia a dia espezinhar-nos como se de uma entidade mítica se tratasse é gritante e, sinceramente, estou a precisar que alguém me dê duas valentes bofetadas e me diga "acorda, quem faz o teu dia a dia és tu".

É altura de aprender que ter aprendido coisas pela experiência é bom. É altura de deixar de valorizar só a bibliografia do Sartre ou do Eça e de me convencer que cada momento partilhado com cada uma das pessoas com quem me cruzo e com quem aprendo ou a quem ensino é também valioso. Talvez mais valioso.

Por isso (por ter tempo e também porque me pediste) resolvi escrever hoje novamente. Retomar algo que me faz sentir, provavelmente, uma pessoa mais interessante e, certamente, uma pessoa que reflecte mais na vida e, por conseguinte, mais consciente de si e do mundo que a rodeia. Em suma, uma pessoa melhor.

domingo, 17 de julho de 2011

Revisitando a alma



Voltei a Paris.

Notem que disse "A" e não "PARA".

Mas serão duas semanas de teste, duas semanas que servirão para eu determinar o que sinto em relação à cidade, a algumas pessoas que aqui vivem (e algumas que não vivendo aqui, vivem no mesmo país) e que são (talvez demasiado) importantes para mim. Acima de tudo serão duas semanas cujo propósito ao nível pessoal será de tomar balanço e engolir a coragem necessária para fazer as malas e deixar para trás uma vida já construída, sólida e enraizada.

Por vezes tenho a sensação de sofrer da síndrome do emigrante apátrida: aquela que recorda o sítio onde nasceu com uma profunda saudade mas que já viveu demasiado tempo noutro sítio para se sentir suficientemente bem na sua terra natal. A verdade é que a minha família se partiu e espalhou e nesta fase do campeonato não importa muito onde moramos, apenas que gostemos uns dos outros. Os amigos tornaram-se na nova família e sei secretamente que é deles que vou sentir a maior falta, dos sorrisos, dos olhares, das conversas, do carinho.

A verdade é que preciso de me integrar, de ser parte de um todo de alguma forma. Sou demasiado "outsider" em Lisboa, sei que não é ali que posso viver a minha vida feliz. E eu prezo a minha felicidade acima de tudo. Não tenho certezas se voltar a um sítio que já me deu sentimentos tão contraditórios será a melhor solução, mas é neste momento uma decisão, assim como uma espécie de capítulo de um livro que temos de acabar de ler e que teimamos em não terminar porque o Metro ou o autocarro é sempre mais rápido do que nós.

Penso que voltar a Paris vai ser bom e estranho ao mesmo tempo. Será mais ou menos assim como escrever este texto.

Desde 2009 que este blog foi aberto e nunca teve um post digno desse nome. Hoje, um amigo a quem posso estranhamente chamar amigo apesar das poucas vezes que estivemos juntos e por quem estranhamente nutro um carinho muito, muito especial, desafiou-me a voltar à escrita. Aceitei o desafio e cá está o resultado.

E porque os meus amigos para mim têm nome de gente, obrigada João, tu sabes que este post é para ti.