sábado, 6 de agosto de 2011

Da teoria do eterno retorno - I

Este é um tema sobre o qual falarei mais vezes por aqui uma vez que se trata de um dos meus favoritos...

Parto do pressuposto principal: A História repete-se. A ideia é a de ciclo, de círculo, de eterna repetição.

A priori pode parecer-vos algo chato, rotineiro, mas essa ideia é absolutamente falsa. A repetição da História é, a meu ver, o espelho e o motor das nossas vidas. Trata-se da teoria que nos move e que nos faz aquilo que somos.

Há uns bons 10 anos descobri o livro Les Fleurs Bleues de Raymond Queneau que entrelaçava personagens de épocas diferentes da História num mesmo enredo para chegar a uma conclusão: de formas diferentes, a História repete-se.

Parte-se então do pressuposto que a essência é algo bastante básico e pouco extenso, um pouco como as cores primárias. Das combinações possíveis dessa essência derivarão então formas secundárias que muitas vezes nos parecem únicas mas que apenas são repetições umas das outras!

O objectivo do estudo e desenvolvimento desta teoria tem como objectivo final a aceitação e a libertação do Eu perante o Outro e ainda do Eu perante o Eu. A constatação da repetição é, juntamente com o Humor, a única forma real de lucidez Humana. A única constatação de Verdade, de algo que, embora etéreo, é palpável.

A construção inédita não existe. E não é esta afirmação um determinismo, apenas uma constatação. A verdadeira criatividade está precisamente em sermos capazes de criar com as barreiras que nos são dadas ou impostas: criar utilizando o que já existe, sermos capazes de ter um segundo, terceiro, quinquagésimo olhar sobre algo.

E sobre isto falarei mais tarde, com um projecto que me tem atravessado o espírito e que começa a ganhar alguma força...

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